Passeio por Petrópolis resgata os tempos do Brasil Império – Voupranos

Passeio por Petrópolis resgata os tempos do Brasil Império

Adobe Stock: Palácio Imperial, Petrópolis – Donatas Dabravolskas

No alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, é possível observar quilômetros de faixas de areia. As praias, no entanto, eram algo que passava longe do roteiro da família imperial. As altas temperaturas no Rio de Janeiro, aliás, incomodavam tanto a nobreza que, durante o verão, a sede da monarquia era transferida para Petrópolis, a 66 quilômetros da capital, em busca de atrações mais frescas.

Petrópolis, como o nome diz, é a cidade de D. Pedro II, retratado em monumento na praça quase em frente ao Museu Imperial, um palácio em estilo neoclássico que abrigava a antiga residência do imperador na serra
fluminense. O Museu Imperial reúne o mais representativo acervo do império, com cerca de 300 mil itens. Entre eles, a pena de ouro usada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea, o manto, o cetro e a coroa imperial – com dois quilos de ouro, 600 pedras preciosas e brilhantes e 80 pérolas.

Para conhecer outros pontos do centro histórico de Petrópolis, embarque, na porta do museu, num tour a bordo de uma vitória, réplica de veículo da era vitoriana puxado a cavalos. Cada uma leva até cinco pessoas, em
passeios de meia hora de duração. O roteiro começa pela Catedral de São Pedro de Alcântara. Representante do estilo gótico francês do século 18, a catedral guarda os restos mortais de D. Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina, da Princesa Isabel e do Conde d’Eu e rende belas fotos.

Adobe Stock: Catedral São Pedro de Alcântara, Petrópolis – Gilberto Mesquita

Adobe Stock: Petrópolis, RJ – St_matty

O chá da princesa

O Duetto’s Bistrô e Café funciona nos jardins do Museu Imperial. Mediante reserva, oferece o “chá da princesa”, fruto de pesquisa de seus proprietários, sobre os gostos da família real. Pão de ló, broa de milho, rabanada, compota de figo e pataniscas de bacalhau são servidos em meio a referências mais sutis, como a camélia que enrola os guardanapos, símbolo dos abolicionistas.

Adobe Stock: Casa da Princesa Isabel, Cidade Imperial, Petrópolis – Caio

Adobe Stock: Praça Princesa Isabel, Petrópolis – Wagner Campelo

Palácio de Cristal e cervejaria

Outros dois pontos para sacar a câmera em Petrópolis são o Palácio de Cristal e a Cervejaria Bohemia. O primeiro foi construído na França, encomendado pelo Conde D’Eu como um presente à sua esposa, a Princesa Isabel, e inaugurado em 1884. Em 1889, uma chuva de granizo destruiu os cristais belgas, nunca mais repostos. Nada, no entanto, que comprometa a beleza do palácio, um dos dois únicos no mundo no seu estilo – para ver o outro, só atravessando o Atlântico, rumo a Madri. Já a Cervejaria Bohemia abusa da tecnologia para contar a história da primeira cerveja produzida no país, desde 1853.

Adobe Stock: Palácio de Cristal, Petrópolis – Donatas Dabravolskas

Adobe Stock: Palácio de Cristal, Petrópolis – PlinioMarcos

Adobe Stock: Cervejaria Bohemia, Petrópolis – Caio

Casa da Ipiranga

Um ponto que não é coberto pelas vitórias, mas não pode deixar de ser visto, é a Casa da Ipiranga. Carinhosamente apelidada de “a casa dos sete erros”, é uma construção que brinca com a assimetria. Foi idealizada em estilo vitoriano por José Tavares Guerra, um economista que multiplicou a fortuna herdada do pai, exportador de café.

Uma das quatro propriedades privadas do século 20 ainda em estado original no Brasil, tem lustres franceses que são réplicas de lustres do Palácio de Versalhes, espelhos de cristal belga e cerca de 200 pinturas em murais por todos os cômodos. Para percorrê-los, é preciso calçar pantufas, como no Museu Imperial. Ali, você é transportado para a época em que a casa era frequentada por D. Pedro II e pelo Barão de Mauá. Por fim, para encerrar o dia em Petrópolis, vale visitar o Museu de Cera e posar do ladinho de D. Pedro II e da Princesa Isabel.

Adobe Stock: Casa da Ipiranga, Petrópolis – Diegograndi

Adobe Stock: Casa da Ipiranga, Petrópolis – Raphael

Museu Casa de Santos Dumont

O Museu Casa de Santos Dumont é outra atração interessante. A casa, que ficou conhecida como “A Encantada”, foi construída e adaptada pelo próprio Dumont no sentido de atender suas necessidades e ser o mais funcional possível.

Adobe Stock: Museu Casa de Santos Dumont, Petrópolis – Caio

Adobe Stock: Museu Casa de Santos Dumont, Petrópolis – Wagner Campelo

Parques

No Parque Municipal de Petrópolis e no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, os visitantes mais aventureiros podem realizar atividades de ecoturismo, como caminhadas, nadar sob cachoeiras e praticar esportes radicais, entre eles rapel e montanhismo. Mas se a disposição for para um programa mais calmo, Petrópolis se oferece com um bom polo de compras, principalmente na Rua Teresa.

Adobe Stock: Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Petrópolis – Kevin Schafer/Danita Delimont

Adobe Stock: Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Petrópolis – Luiz

Noite

No fim do dia, a Cidade Imperial esbanja ótimos roteiros gastronômicos e casas com música ao vivo. Além disso, dezenas de charmosos bares, restaurantes e casas noturnas se descortinam pela região, principalmente no distrito de Itaipava.

Adobe Stock: Petrópolis, RJ – Pedro

Quando ir

Petrópolis é agradável em qualquer estação. No entanto, a temperatura cai bastante à noite e convém colocar um casaco na mala, mesmo que seja verão. No inverno, por sua vez, o local fica mais cheio, sobretudo de cariocas que sobem a serra a fim de curtir a charmosa estação na Cidade Imperial.

Adobe Stock: Petrópolis, RJ – Snaptitude

Publicado em: 26/07/2023
Atualizada em: 26/07/2023
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