O universo do vinho no Vale dos Vinhedos/RS – Voupranos

O universo do vinho no Vale dos Vinhedos/RS

Uma enorme pipa de vinho no pórtico de entrada de Bento Gonçalves já deixa claro qual é a vocação dessa pequena cidade da Serra Gaúcha. Serve para aguçar a vontade dos visitantes recém-chegados, sempre ávidos por experimentar os bons vinhos locais, cujos rótulos estão entre os melhores do Brasil. É assim desde quando os primeiros imigrantes italianos chegaram à Serra Gaúcha, há quase 150 anos.

Bento Goncalves – Divulgação – Fabiano Mazzotti

De imediato, eles perceberam que aquela combinação de clima ameno e relevo montanhoso, semelhante à de algumas cidades de sua terra natal, era perfeita para o cultivo de alguns tipos de uva que rendem excelentes versões da bebida de Baco, o deus do Vinho na mitologia grega. E não demorou muito para que os imigrantes transformassem a região na principal área vinífera do País. Hoje, as mais famosas marcas nacionais de vinhos e espumantes estão ali – casos de Miolo, Casa Valduga e Salton, além da Chandon, na vizinha Garibaldi, entre tantas outras. Só o trecho de 82 km² batizado de Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, abriga mais de 30 vinícolas, e boa parte delas abre suas portas aos visitantes, que podem participar da colheita na época da vindima, para conferir cada passo do processo de produção e degustar os principais rótulos na companhia de um enólogo.

Na Miolo, por exemplo, há minicursos de degustação só com os melhores vinhos, da linha gran reserva, que passam um ano no barril de carvalho, com direito a certificado e taça de cristal no encerramento. Uma boa oportunidade para saborear o premiado Lote 43, que harmoniza muito bem com carnes, ou o Sesmarias, feito com seis variedades de uva na região da Campanha Gaúcha. Se você quer ter seu próprio vinho autoral, dá até para arriscar uma proposta, como fez o narrador Galvão Bueno, que lançou uma linha personalizada em sociedade com a Miolo.

Cave da Vinícola Valduga – Tales Azzi/Editora Europa

Já na Casa Valduga as obras-primas são o Brandy XX Anos e o premiado espumante Maria Valduga, um brut de perlage fina e persistente, com rótulo banhado a ouro. Para fazer frente a essas preciosidades, foi lançado o tinto Luiz Valduga, de produção tão pequena que não é vendido em nenhum outro lugar fora da propriedade.

Além dessas grandes caves, há outras menores em Bento Gonçalves e na vizinha Pinto Bandeira que se destacam por produções pequenas e de altíssima qualidade, como Almaúnica, Cave Geisse, Don Laurindo, Marco Luigi, Lidio Carraro, Pizzato e Larentis. De tão intimistas, algumas chegam a ter visitas personalizadas, como a Torcello, onde o dono ensina a arte de apreciar um bom vinho e sentir a quantidade de tanino presente em cada variedade de tinto.

A Lidio Carraro, por sua vez, ostenta a fama de ter seus “best-sellers” servidos a celebridades como o papa Francisco e o presidente americano Barack Obama. Apesar de pequena, a vinícola foi escolhida para elaborar o vinho oficial da Copa do Mundo no Brasil e os vinhos Top Premium dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Já na vinícola Cordelier, quem pede um espumante ganha também um balde de gelo e uma espada de sabre para manter viva a tradição de Napoleão Bonaparte. Diz a lenda que o imperador francês gostava de comemorar as vitórias nas batalhas sorvendo um bom champanhe e costumava abrir a garrafa com um golpe certeiro de espada. No mesmo tom de solenidade, os clientes imitam o gesto napoleônico, que não é tão difícil quanto parece: mãos firmes na garrafa, cuidado para não acertar a rolha na cabeça de ninguém, mira no gargalo e… pow! Está mantido o ritual da sabragem.

Viagem no tempo

Nenhum passeio pela região vinífera da Serra Gaúcha, porém, é tão inebriante, divertido e emblemático quanto o tour de maria-fumaça entre Bento Gonçalves e a cidade de Carlos Barbosa, com direito a degustação de vinhos na chegada e de espumantes na parada em Garibaldi. O trajeto de 20 km – cumpridos em cerca de uma hora e meia – entretém mais pelas apresentações culturais do que pela paisagem que se vislumbra das janelas. E proporciona uma festiva viagem no tempo. Músicos e atores trajados de imigrantes italianos se revezam entre os vagões, levando os passageiros a cantar e dançar ao som de músicas típicas.

Trem do vinho – Tales Azzi/Editora Europa

Impossível não se deixar contagiar pela Tarantella ou pelo ritmo de La Bella Polenta durante o pit stop em Garibaldi. Turistas costumam conciliar essa experiência sobre trilhos com outras atividades pela região. O tour Uva e Vinho, por exemplo, tem duração de 12 horas e inclui também uma visita ao Parque Temático Epopeia Italiana, onde os personagens Lázaro e Rosa narram a história da vinda dos primeiros colonos enquanto os turistas caminham por belos cenários, como um navio e uma réplica de um vilarejo italiano do início do século 20.

Trem do vinho – Tales Azzi/Editora Europa

Spa do Vinho

Como tudo em Bento Gonçalves remete ao líquido de Baco, não é de se estranhar que haja até um estabelecimento de hospedagem com a temática. Trata-se do Hotel & Spa do Vinho, administrado pela rede Marriott, onde a história da bebida permeia a estadia desde a decoração até os produtos utilizados nos tratamentos do spa, com princípios ativos extraídos de uvas e videiras. Para completar a inebriante experiência, aprecie a bela vista dos vinhedos enquanto saboreia um dos pratos do cardápio devidamente harmonizado com as melhores safras da produção local.

Publicado em: 24/03/2023
Atualizada em: 24/03/2023
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