O que fazer na Normandia, importante região histórica da França – Voupranos

O que fazer na Normandia, importante região histórica da França

Lambida pelas águas e pelos ventos que sopram do Atlântico, a Normandia, na França, é intimamente ligada ao mar. Em qualquer cidadezinha litorânea, há muito o que fazer nos portos e píeres, sempre lotados de embarcações de todos os tipos e tamanhos.

Em alguns pontos, como as praias de Omaha, Utah e Juno, a orla é dominada por bunkers, cemitérios, canhões, museus e memoriais, tudo vestígio do desembarque das forças aliadas no Dia D e hoje locais que atraem os visitantes.

Em outras localidades, como Étretat, Deauville, Honfleur e Cherbourg, a vibe é totalmente outra: as praias têm ares mais lúdicos, prazerosos e glamorosos, com calçadões repletos de cafés charmosos e hotéis frequentados por celebridades.

Le Havre

O exemplo mais notório da força da maré é o entorno do Monte Saint-Michel, Patrimônio Mundial da Unesco e atração número um no checklist de quem visita a Normandia.

Admirar a simbiose entre a força da natureza e a solidez da abadia fortificada no Monte Saint-Michel já vale a viagem até a Normandia. Porém, já que se está numa região tão linda, seria desperdício voltar tão depressa a Paris, por exemplo. Vale muitíssimo percorrer os trajetos que revelam falésias vertiginosas, cidades encantadoras, praias e fazendas produtoras de queijo camembert.

Adobe Stock – Famous Le Mont Saint-Michel tidal island in Normandy, northern France at sunset

Todas essas atrações deliciosas estão em outra ponta da Normandia: ao redor de Le Havre, a 220 km de Saint-Michel. A partir do monte-ilhota, o ideal é alugar um carro, pois, apesar de haver ônibus perfazendo o trajeto, é preciso fazer baldeações e a viagem acaba despendendo tempo demais.

Bom ponto para usar como base, Le Havre é um dos lugares da Normandia mais marcados pelos desdobramentos do Dia D, que mudou completamente os rumos da Segunda Guerra Mundial. No dia da invasão aliada, 6 de junho de 1944, bastaram dez minutos para que o centro fosse quase todo destruído num bombardeio dos Aliados naquela região até então dominada pelos nazistas.

Num esforço sem precedentes, exatos 20 anos depois, em 1964, a cidade já estava reconstruída. E sob um projeto ousado – e superpolêmico – do arquiteto belga Auguste Perret. Na urbe cortada pelo Sena (é lá que esse rio tão associado a Paris deságua no mar, em pleno Canal da Mancha), Perret mesclou o jeitão antigo de Le Havre com arquitetura e técnicas urbanísticas modernas.

Le Havre também contrasta com a grandiosa paisagem natural ao redor graças a shoppings modernos, um cinema decorado pelo estilista Christian Lacroix e um spa e centro aquático. Também não faltam restaurantes estrelados.

Adobe Stock – Footbridge across Commerce Basin in the heart of Le Havre city, France

A lista de atrações contemporâneas de peso se completa com um centro cultural desenhado, veja só, por Oscar Niemeyer. O brasileiro o concebeu em 1982, evocando as chaminés dos transatlânticos a vapor que ocupavam o porto do município, mas a (mais uma vez) polêmica obra foi batizada de Volcan, pelo formato de um vulcão.

Étretat

Após se jogar na miscelânea cultural de Le Havre, é hora de explorar as redondezas. Uma sugestão é seguir primeiro para as atrações ao leste da cidade, e, depois, visitar a costa oeste.

A 30 km para o leste está Étretat, que rende um passeio para uma tarde toda. O centro antigo em frente à praia é perfeito para uma caminhada, mas, nessa beira-mar, o que mais faz cair de amores é a gigantesca falésia em forma de porta, a qual parece se jogar na água, ou, como descreveu o escritor francês Guy de Maupassant (1850-1893), é semelhante a um elefante que afunda a tromba no mar.

Adobe Stock – Normandy, France. Etretat village cliffs with the Manneporte arch and the Valaine beach.

Retratada em inúmeras pinturas impressionistas e pós-impressionistas, Étretat é de uma beleza arrebatadora. Uma boa dica por lá é fazer  um piquenique sobre o gramado no topo de uma das falésias. É um programa bem popular feito por casais, famílias, turistas… Todos querem ter essa vista espetacular e desobstruída para as gigantes junto ao mar.

Adobe Stock – Etretat France

Fécamp

Seguindo mais 16 km a leste de Étretat, a pequena e bucólica Fécamp vale a paradinha por pelo menos dois ótimos motivos: a Abadia de Sainte-Trinité, que já foi um importante centro de peregrinação da Normandia, e o surpreendente Palais Bénédictine.

Adobe Stock – Cette photo a été prise en France, au nord de la Normandie, à Fécamp avec un drone au coucher du Soleil. On y voit l’Église Saint-Étienne de Fécamp et une partie de la ville à moyenne altitude.

Esse palácio lindo foi inaugurado em 1900 para concentrar a produção do licor Bénédictine, fabricado com especiarias vindas dos cinco continentes.

A majestosa construção, meio gótica, meio renascentista, tão bonita e interessante por dentro quanto por fora, também abriga um museu, que expõe a coleção pessoal de arte sacra e pinturas da família Le Grand, fundadora da fábrica de licores.

Adobe Stock – Fécamp

Côte Fleurie

De volta a Le Havre, a viagem segue agora para o trecho oeste, avançando pela Côte Fleurie (costa das flores), onde estão dois lugarejos incríveis. Um é Deauville, a 41 km de Le Havre, há tempos um dos principais balneários frequentados pelos parisienses.

Adobe Stock – Côte fleurie en Sardaigne

Foi nessa adorável e elegante cidadezinha que a mítica estilista Coco Chanel abriu sua primeira loja, em 1913. Mas a fama internacional entre jet setters veio depois, em grande parte graças ao festival de cinema que atrai anualmente as estrelas do showbiz a Deauville.

No trajeto até lá, não deixe de fazer uma parada essencial: Honfleur, outra gracinha de cidade, que foi a paixão dos impressionistas e até tema de versos de Victor Hugo. Ela encanta pelo centrinho de ruas de pedra, barcos atracados no Sena e deliciosas épiceries (mercearias).

Publicado em: 02/12/2022
Atualizada em: 02/12/2022
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