Conheça as mais belas praias selvagens do Litoral Norte de São Paulo – Voupranos

Conheça as mais belas praias selvagens do Litoral Norte de São Paulo

Adobe Stock: Guarujá, SP – Gustavo

O Litoral Norte paulista, entre São Sebastião e Ubatuba, tem cerca de 200 faixas de areia. Apesar da certa proximidade com a maior cidade do País (a distância entre São Paulo e São Sebastião é de 205 km) e da grande urbanização dos dois municípios à beira-mar, muitas delas são praias selvagens e bem preservadas. Parece difícil acreditar, mas quem pisa na Praia Brava de Boiçucanga, em São Sebastião, a pouco mais de um par de horas da capital paulista, costuma ficar bem surpreso ao saber que aquele cenário quase sempre deserto está a cerca de 4 km do núcleo urbano e da área comercial mais próxima.

Adobe Stock: Boiçucanga, SP – Luciano Ribeiro

A Brava fica escondida em meio a costões verdejantes, entre Boiçucanga e Maresias, duas faixas de areia que costumam lotar em feriadões e ganhar irritantes engarrafamentos. Mesmo no meio da muvuca, só se chega à Brava depois de uma hora caminhando por uma trilha ou pegando um barco-táxi. A recompensa para quem encara o caminho, cheio de subidas e descidas é um incrível vislumbre da natureza em seu estado original, o que vale muitíssimo a pena. As montanhas cobertas por Mata Atlântica cercam toda a praia, que tem areia fofa e ondas fortes. Não há casas, bares nem construção. Os visitantes mais prováveis são pescadores ou um e outro surfista de fim de semana.

Adobe Stock: Ubatuba, SP – GAMAPictures

Já em Ubatuba, dá para sair da Praia do Félix, que é longa, reta e tomada por um condomínio, caminhar 20 minutos por uma trilha na mata e desembocar em uma prainha deserta, onde a areia é recoberta por uma camada de conchas. Na maré baixa, esse singelo cenário, que faz jus ao nome – Praia das Conchas, também chamada Praia do Lúcio –, ganha bem- vindos poços de água entre as pedras.

Adobe Stock: Ilha das Couves, Ubatuba, SP – Cleber

Do lado de casa

Com base nesses exemplos, é perfeitamente possível sair de manhã da capital paulista e, antes mesmo do almoço, já estar caminhando em uma praia vazia, diante do mar verde e cristalino, seguido apenas por suas próprias pegadas. O que não deixa de ser surpreendente para uma faixa de terra e mar há décadas cobiçada por empreendimentos imobiliários.

A preservação de alguns trechos do Litoral Norte deve-se, primeiramente, à geografia peculiar da região. As montanhas da Serra do Mar nesse pedaço da costa avançam até a beira-mar, formando inacessíveis enseadas e penínsulas de terreno íngreme. Muitas praias ficam na ponta dessas penínsulas, longe do asfalto da Rodovia Rio Santos e sem estradas de acesso. Outras, ainda que coladas à rodovia, são tão escondidas pelos morros que quem passa de carro não as vê, como ocorre na Brava do Guaecá, em São Sebastião, e na Praia do Alto, em Ubatuba.

Adobe Stock: Praia do Deserto, Ubatuba, SP – GAMAPictures

O urbano e o primitivo

A quantidade de praias em Ubatuba impressiona: são 83, das quais pelo menos uma dúzia é selvagem, incluindo as que existem nas ilhas, como a Anchieta, a das Couves e do Prumirim. Como o município tem 120 km de costa, a média é de uma nova praia a cada 1,5 km. Em alguns trechos, há até mais faixas de areia distintas em tal espaço, pois muitas são minúsculas e coladas umas às outras. Ainda assim, costumam ser completamente diferentes entre si.

Adobe Stock: Praia de Prumirim, SP – Marcos

Para o viajante, é uma surpresa e tanto sair de um lugar muvucado como Praia Grande, à beira da Rio-Santos, dirigir 15 minutos por uma estrada de terra, caminhar cinco minutos por uma trilha e chegar a um refúgio exuberante chamado Praia do Cedrinho. Apesar de ficar perto do centro da cidade, não costuma haver mais do que um ou outro visitante e meia dúzia de pescadores cuidando de canoas e redes.

Adobe Stock: Ubatuba, SP – Dririchetto

No litoral sul da cidade, foram as penínsulas de difícil acesso que mantiveram muitas praias intocadas até hoje. É o caso da Praia do Cedro, acessada apenas por uma trilha fácil, feita em cerca de uma hora, que começa na Praia da Lagoinha, urbanizada e bem na beira da estrada. No caminho que leva à do Cedro, passa-se por outras duas praias muito interessantes, Bonete e Grande do Bonete, esta última com uma comunidade de pescadores que parece desprezar os confortos da vida moderna. Não existem ruas na vila, já que não há estrada, só caminhos de areia, e a luz elétrica é à base de gerador.

Faixas de areia protegidas

O trecho norte é o lado mais verde de Ubatuba, onde as matas estão protegidas pelas leis ambientais do Parque Estadual da Serra do Mar. Ali estão praias selvagens como a do Lúcio (ou das Conchas), a Brava da Almada e a Brava do Camburi, aonde só se chega por trilhas e que não têm nenhuma infraestrutura – justamente por isso, pouca gente vai.

Adobe Stock: Praia das Conchas, Ubatuba, SP – GAMAPictures

A Brava da Almada é extensa, selvagem e cercada pela mata, tem mar agitado e apenas duas casas simples de caiçaras. É bom levar água e lanche, pois não há como comprar por lá. O acesso é apenas por trilha (50 minutos) desde a Praia da Almada, uma das mais estruturadas do norte de Ubatuba, com restaurantes e pousadas. Há também locais à beira-mar para chegar de carro, como as praias do Alto, da Puruba e da Fazenda, que só não são completamente desertas porque há uns poucos quiosques servindo bebidas e porções em mesas sob as amendoeiras.

E isso só na alta temporada ou feriadões, já que, no resto do ano, as barracas não abrem porque não há freguesia. A Praia do Alto, por exemplo, está após a entrada de Itamambuca. Com mar calmo, ela fica perto da rodovia, com acesso por trilha parcialmente concretada que começa ao lado do acostamento (são apenas cem metros descendo a encosta). Ali, há um estacionamento e um trecho do litoral paulista que pode ser apenas seu por horas e horas.

Adobe Stock: Praia de Puruba, SP – ArturLuiz

Não bastassem o isolamento e o sossego, cada um desses pontos tem atrativos especiais que os diferenciam. Os que se aventuram rumo à Brava do Camburi, por exemplo, passam antes por Camburi, última faixa de areia do litoral paulista, na divisa com o Rio de Janeiro. Lá está uma vila de pescadores e cachoeiras que ficam tão perto da praia que, em poucos minutos, o visitante sai do mar e já está debaixo de uma cascata no meio da mata.

Adobe Stock: Praia de Camburi, SP – Gustavofrazao

Publicado em: 26/07/2023
Atualizada em: 26/07/2023
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