Chicago respira arte dentro e fora dos museus – Voupranos

Chicago respira arte dentro e fora dos museus

Adobe Stock: Teatro Chicago – FiledIMAGE

Mesmo estando a mil quilômetros da costa mais próxima, Chicago tem jeito de cidade litorânea por causa do Lago Michigan, que de tão grande até parece mar. O espelho d’água tem duas vezes o tamanho da Bélgica, o que faz da orla de Chicago uma das maiores do mundo. São 53 km de extensão, com dezenas de praias de areia branca que parecem pintura, o que combina muito bem com a vocação que a cidade tem para as artes.

E olha que nem é preciso ir a museus para ver algumas grandes obras de perto. Na região central, por exemplo, Chicago tem pretensões de alcançar as alturas com uma profusão maluca de arranha-céus. É um exemplo ímpar de urbanismo, com avenidas largas e arborizadas, quarteirões simétricos e centenas de parques.

Poucos lugares no mundo valorizam tão bem os espaços públicos. O próprio centro de Chicago, chamado de Loop, um apelido que veio do traçado de um trem elevado que corre por cima das principais ruas do bairro, é um museu a céu aberto, decorado com grandes esculturas de Picasso, Miró, Calder e Chagall.

Nessa região, está o belíssimo edifício Marshall Field, que abriga a loja Macy’s, importante endereço para fazer boas compras. Não deixe de subir até o quinto andar do prédio e olhar para cima: o teto é todo feito em mosaico de vidro criado em 1907 por Louis Comfort Tiffany, o filho do fundador da Tiffany’s & Co, a mais famosa joalheria americana.

Também é na área do Loop que fica o distrito dos teatros, o equivalente à Broadway de Nova York. Os mais antigos e famosos são o Goodman, fundado em 1925, o Oriental e o Cadillac Palace, ambos de 1926. De musicais clássicos a dramas e comédias, todo dia é dia de ir ao teatro nessa cidade.

Adobe Stock: Rio Chicago, Chicago, Illinois- Jonbilous

Adobe Stock: Chicago, Illinois – SeanPavonePhoto

 Os grandes museus de Chicago

O Instituto de Arte de Chicago está na lista dos museus mais importantes do mundo. Sua coleção permanente tem obras de arte do impressionismo, como The Bedroom, de Van Gogh; Water Lilies, de Claude Monet; e Paris Street, Rainy Day, de Gustave Caillebotte; entre outros.

Já o Field Museum tem o maior e mais completo esqueleto de dinossauro T-Rex já encontrado no mundo, com 67 milhões de anos. O Sue, que leva o nome da sua descobridora, possui ossos tão pesados que fizeram uma réplica de sua cabeça para acoplar ao corpo. A ossada original da cabeça fica exposta numa redoma de vidro e pode ser observada bem de perto.

Em sintonia com a cidade, o Museu de Arte Contemporânea de Chicago apresenta obras focadas no surrealismo e no minimalismo. Trabalhos de artistas americanos como Lee Bontecou e Dawoud Bey fazem parte do acervo permanente.

Recentemente também foi aberto na cidade o Chicago Architecture Center. No local, é possível entender melhor a construção dos prédios ao longo da história, a distribuição dos bairros a partir do Lago Michigan e uma série de outras curiosidades que se destacam em uma maquete interativa.

Adobe Stock: Museu de Ciência e Industria de Chicago – David S. Swierczek

Adobe Stock: Chicago Children’s Museum – Zimmytws

Uma cidade em elevação

Até chegar a se tornar o atual exemplo de arquitetura e urbanismo, Chicago passou por períodos de altos e baixos, literalmente. Após o incêndio de grandes proporções que a assolou no final do século 19, investidores e arquitetos de todo o mundo perceberam o potencial da cidade e começaram a levar negócios para lá. A sua beleza natural, com as águas azuis do Lago Michigan, ajudou a conquistar cada vez mais público.

A partir de 1950, a cidade acelerou seu crescimento. Chicago abria concursos e centenas de arquitetos faziam seus projetos na esperança de se tornarem famosos e ricos. Surgiram prédios modernos, parques, pontes, museus e a cidade planejada que hoje só é menor do que Nova York e Los Angeles, nos Estados Unidos.

Nessa época, foram construídos edifícios que são um marco da arquitetura mundial. O Tribune Tower (1922), sede do jornal Chicago Tribune, e o Carbide e Carbon (1929), com azulejos verde-escuro e dourado, que hoje abriga o Hard Rock Hotel, são exemplos do requinte e bom gosto que brotou no Loop. Décadas depois foram erguidos o John Hancok (1969) e a Sears (1973), atual Willis Tower, que por muitos anos ocupou o posto de edifício mais alto dos Estados Unidos.

Adobe Stock: Torre Willis, Chicago – Atosan

Adobe Stock: Chicago Tribune Sign, Chicago – James

O arquiteto americano mais famoso de todos os tempos, Frank Lloyd Wright, que criou o estilo “Prairie”, focado na harmonia das construções com a natureza, começou sua carreira em Chicago em 1887e deixou um legado para a cidade. Suas criações podem ser vistas em vários lugares, especialmente no Oak Park, onde está a casa e o studio onde ele morava e trabalhava.

Com tantos arranha-céus, Chicago ganhou também muitos mirantes para admirar a cidade de ângulos bastante privilegiados. No 103º andar do Willis Tower, por exemplo, há um observatório com piso de vidro, o The Ledge, que faz o visitante ter a sensação de flutuar no ar a 412 metros do chão.

Mas, se você quiser unir a vista esplêndida das alturas com um drinque, quem sabe num momento romântico com sua cara metade, visite o observatório John Hancock, agora chamado de 360 Chicago. No andar 94, há um bar e, no 95, fica o lounge onde você pode fazer reserva para o almoço ou jantar.

Vale a pena pagar alguns dólares a mais pelo ingresso para curtir a tilt experience, uma porta de vidro que inclina alguns graus dando a sensação de que você vai cair para fora do prédio. É de onde se tem a melhor vista panorâmica.

Adobe Stock: Observatório John Hancock, Chicago – 606 Vision

Adobe Stock: Observatório 360 Chicago – Hannah Henderson

Parque

É no Millennium Park, porém, que está o principal cartão-postal de Chicago: a escultura Cloud Gate, ou “Portão de Nuvem”, mas o nome que pegou mesmo foi “bean” (feijão), por conta do formato parecido com um grão de feijão. A imagem das pessoas refletida na escultura espelhada forma desenhos geométricos como num caleidoscópio.

Os visitantes lotam a praça para fazer uma selfie em frente ao “bean”. Refletidos no espelho da escultura, a Willis Tower e o John Hancock não perdem sua imponência.

Uma ponte, a BP Bridge, liga o Millennium ao Grand Park. Os dois parques juntos formam uma extensa área verde no coração da cidade. Ao longo dele estão diversas atrações, como os principais museus, o Sheed Aquarium, o Adler Planetarium, o estádio de beisebol dos Cubs (o Wrigley Field) e o maior centro de convenções do país.

Adobe Stock: Millenium Park, Chicago – Mariana Ianovska

Adobe Stock: Planetário Adler, Chicago – Al

Publicado em: 27/06/2023
Atualizada em: 27/06/2023
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